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Afeto: troca entre pais e filhos na primeira infância são essenciais


Os primeiros afetos são significativos e determinantes para a organização dos sentimentos de segurança que sustentará o bebê no seu crescimento. A presença da mãe (ou seu substituto) representa segurança, fator determinante para a criança sentir-se amada e segura no decorrer de sua existência. O primeiro terror conhecido é o medo de perdê-la (“não existe nada semelhante a um bebê”), sabe-se que a ansiedade da separação é provocada pela verdade literal de que, sem alguém para tomar conta de nós, morreremos (Viorst, 2005).

A mesma evidência ocorre entre o bebê e o pai, porém, tal laço, provém mais da reciprocidade afetiva partilhada pelo genitor e o recém-nascido no decorrer do seu desenvolvimento do que no contato imediato após seu nascimento.

Algumas influências sobre o desenvolvimento do bebê têm seu princípio na hereditariedade: dotação genética inata dos pais biológicos. Outras derivam do ambiente externo, o mundo fora da criança, tendo sua origem no útero. Atualmente sabe-se da importante interação da hereditariedade e do ambiente ao qual o bebê está inserido, essa mixagem é fator determinante para o aperfeiçoamento do apego. Tais considerações, nos levam a refletir que o desenvolvimento do apego vai progressivamente se constituindo. A criança conforme revela a teoria do apego, será prejudicada na competência emocional, social e cognitiva caso sofra interferências negativas nas primeiras interações. Porém, trocas afetivas com um adulto capaz de transmitir com sua presença interações sustentadas e amparadas de afetos favoráveis, nos primeiros meses de vida, propiciarão ao bebê torna-se um adulto capaz de desenvolver relacionamentos seguros.

Uma fase importante na relação mãe-bebê ocorre por volta do terceiro mês de vida: o bebê diferencia e reconhece a face da mãe (ou substituto) ao longo de várias percepções captadas progressivamente iniciada a partir do segundo mês. O reconhecimento do olhar da mãe para o bebê é essencial, ele declara entre todas as coisas e pessoas a existência de um ser que se tornará ao longo de sua vida cada vez mais significativo. Momento esse unificando desenvolvimentos anteriores, representativo da primeira reação afetiva da criança. Depois desse período, a criança começa manifestar seu descontentamento na ausência da mãe. Por volta dos seis meses, se instala os estados de prazer e desprazer. Privar a criança dos afetos de desagrado durante o primeiro ano de vida é tão nefasto como privá-la das satisfações, pois ambos colaboram na constituição de um psiquismo saudável (Mello filho et al, 2004).

Processo tão importante quanto à criação de laços afetivos é a necessidade do rompimento da relação simbiótica – momento onde o bebê entende o próprio corpo como uma extensão da mãe. Essa o considera parte de si. Tal fenômeno físico e psicológico é imprescindível para a sobrevivência do bebê. Nessa fase é desenvolvido o instinto de preservação materna propiciando ao recém-nascido amparo e proteção. Aos poucos tal fusão precisa ser convertida, permitindo a criança um crescimento saudável dentro de um ambiente seguro, proporcionando-lhe atribuições necessárias para a inserção de uma identidade separada daquela da mãe. Um importante papel, nesse processo, pode ser desenvolvido pela figura paterna (ou substituto). O pai é inserido triangulando a relação desconstruindo a fantasia do ideal materno, que seria uma proposta regressiva onde a criança seria “objeto da mãe”.

O que ocorre quando tal triangulação é doentia, desordenada ou ausente? Na doença ou qualquer transtorno adquirido pela mãe seria como se a própria criança sofresse o mesmo desarranjo mental ou doença, e a criança, na tentativa de encorajar e estimular a mãe consumiria, nesse ato, seus limitados recursos. Na simbiose incoerente, a criança teria dificuldade frente a construções afetivas com qualquer sujeito fora dessa relação, originando dependência afetiva e fixando-se na infância mesmo já estando na fase adulta. Já na ausência de afetos, a criança permaneceria na relação simbiótica e o simples retorno ao trabalho da mãe a deixaria em total desamparo, levando-a a um estado depressivo debilitando suas defesas imunológicas e enfraquecendo de forma significativa suas respostas frente aos diversos estímulos com o qual a criança é cercada.

A entrada do pai possibilita e encoraja a criança a examinar atentamente o mundo a sua volta com a certeza de um abrigo e a convicção de encontrar o seu lugar no mundo. A mãe a capacidade de se perceber mulher sem culpa. Claro que a mãe pode ter o papel de agente emancipador, porém, o pai auxilia de forma significava o crescimento do filho e torna favorável a triangulação afetiva.

Renata Araujo Gomes Foncêca

Psicóloga e psicopedagoga Clínica

 
 
 

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